Azuaite alerta que “confusão no sistema de transporte da cidade está só começando”
09/02/2018
Ao se pronunciar na tribuna da Câmara Municipal na sessão plenária de terça-feira (6), o vereador Azuaite Martins de França (PPS) opinou que “toda a confusão referente ao transporte coletivo na cidade só está começando. A substituição do secretário municipal de Transporte pelo Dr. Ademir Souza e Silva não encerra o problema. Ao contrário, acirra-o. É um enfrentamento e provoca um desgaste que a Prefeitura poderia evitar. Infelizmente ela poderá sofrer graves consequências”.

“Não seria necessário nada disso para resolver determinadas questões que são complexas, mas devem ser resolvidas de outra forma, com inteligência e não com truculência”, alertou.

Azuaite fez uma retrospectiva da ação do governo municipal no setor desde a retirada do serviço de bondes elétricos, em 1962, e a substituição pelo serviço de ônibus, que a seu ver “funcionou até que alguns prefeitos fizeram intervenções que levaram ao colapso do sistema; fazer licitação é obrigação do poder público, mas em vez do Ministério Público e a Prefeitura contribuírem para que o processo se desse através e licitação, resolveram adotar o contrato emergencial”.

No seu modo de entender, a licitação para a execução do serviço deveria, por exemplo, envolver a preocupação com aspectos ambientais como a poluição por gases nocivos e outros itens que deixam de ser considerados. “Tudo o que está havendo atualmente está direcionado a produzir uma desorganização do sistema de transporte público e privado em São Carlos”, avaliou.

A título de comparação, Azuaite observou que o país assiste o presidente Michel Temer preocupado o tempo todo com a reforma da Previdência, mas aqui em São Carlos não se sabe o que preocupa de fato o prefeito Airton Garcia. “Qual a preocupação básica do prefeito? Vejo a administração municipal como um avião que decola e fica no ar circulando, sem saber a que destino vai e em qual aeroporto aterrissa. É preciso tomar cuidado porque daqui a pouco acaba o combustível e esse avião vai se espatifar. Ninguém chega a lugar algum se não define previamente aonde quer chegar”, afirmou.

TRANSPORTE JUSTO – Azuaite comentou o posicionamento do Movimento Transporte Justo na “Tribuna Livre” da sessão legislativa e disse que “todas as propostas para o sistema de transporte coletivo devem ser debatidas”. “É do debate que vai surgir muita coisa boa, é com ele que se conquista vontade coletiva”, declarou.

Para isso, conforme ressaltou, é necessário que existam no governo “ouvidos dispostos a ouvir e realizar não que simplesmente ouçam sem processar nada, por não existir vontade política ou porque as pessoas se acham tão autossuficientes e não acreditam na contribuição de outros”. “Existiram experiências de prefeitos que pensaram e agiram dessa forma e parece que continuamos tendo essa grave doença em nossa vida política e no nosso Executivo”, disse.

OUSADIA E INOVAÇÃO – No início de sua fala, Azuaite observou que São Carlos é historicamente fadada a ser a cidade da ousadia e da inovação, tendo alcançado primazias já no final do século XIX quando foi constituída uma sociedade que resultou na ativação de uma usina hidrelétrica que foi a primeira do estado e a segunda do Brasil e do hemisfério sul, e na segunda década do século XX pôs em circulação o transporte público por bonde elétrico apenas 14 anos depois da capital paulista implantar o serviço.

“Veja como São Carlos acompanhava o progresso e o desenvolvimento de São Paulo, do Brasil e do mundo”, observou. “Os bondes circularam até 15 de junho de 1962, data que no discurso de alguns essa era da inovação e do progresso, mas nos discursos de outros, inclusive no meu, era a nota de falecimento do progresso e da ousadia nesta cidade”, acrescentou, citando a existência de bondes elétricos circulando em cidades como São Francisco, nos Estados Unidos, Azuaite ironizou: vejam como São Carlos progride, vejam como São Francisco, na Califórnia, é atrasada?

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